quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Falando sério

A festa da democracia brasileira aproxima-se de mais uma edição. Traz consigo dúvidas, escândalos, censura, calúnias e tantos outros sentimentos e ações que no mínimo são passíveis de reflexão no eleitor.

"Nunca antes na história desse país", foi tão preciso a participação do cidadão em um momento tão decisivo, que chegou ao seu limite, da vergonha e do descaso com o nosso país.
Talvez o fato mais importante de todo esse jogo político, desonesto e lamentável, seja o papel da imprensa perante a sociedade.

O caso "Erenice Guerra" foi o estopim de toda manifestação oposicionista, reveladamente partidária, ao atual Governo.
Não venho com bandeiras em mãos, ou santinhos a distribuir. Venho exercer meu direito, meu dever e compartilhar as minhas convicções. Muito mais do que isso, estou exercendo a verdadeira 'liberdade de expressão', tão massacrada e distorcida na visão daqueles que acham que a verdadeira liberdade consiste em falar o que der na teia, acusar sem provas, julgar sem argumentos, noticiar sem apuração.

Quem sofre principalmente com toda esta trama, são aqueles que sonham ser parte integrante da profissão jornalística. Aqueles que defendem a unhas e dentes o profissional essencial, conhecedor, informado, socialmente engajado, prestativo e sobretudo, ético.
Muito dos valores imaginados e ainda estudados nas diversas Instituições de Ensino do Brasil, o que para mim é fundamental para despertar nos futuros profissionais o resgate, ou melhor, a criação de uma imprensa mais empenhada e comprometida, foram esquecidos ao longo do caminho. Atualmente, presenciamos o desgaste e observamos as sequelas do mau exercício da profissão.

O que fica claramente visível, é que os dois lados pecaram nas acusações. Há verdades em ambos discursos, mas há também muita sujeira espalhada. Em quem confiar, o que é verdadeiro, e como consertar a máquina de poder. A resposta é fácil por um lado e difícil por outro.
Em relação a política, culturamente enraizada de forma estúpida e suja nesta terra, o poder está em nossas mãos, pronto para ser utilizado, neste domingo. Já com relação a imprensa é necessário uma profunda revisão nas suas políticas editoriais. Que tal assumirmos a nossa posição partidária, sem afetar a nossa credibilidade e a nossa capacidade de informar sem deturpar a realidade.

Está na hora de encerrar o discurso de apartidarismo, e lutar pela imparcialidade, mesmo que no seu ínfimo conceito não seja 100% possível.

Censurar é impedir que a opinião seja dada, é bloquear o direito de ir e vir, garantido na Constituição; é ferir os direitos do cidadão. Não se resume simplesmente em limitar a divulgação de notícias infundadas, mal apuradas, recheada de 'achismos'.

Eleitores, votem conscientemente e fujam daqueles que fazem da política, um espaço para exibição e desmoralização da democracia.
Profissionais, sejamos menos políticos nas nossas posições, façam da ética a bandeira do jornalismo, tão completo e necessário, pelo menos em seu conceito.
Ser um jornalista capacitado, para muitos, ou pelo menos para mim, é o maior anseio. Este profissional tão criticado, por vezes corretamente, é a expressão viva e forte dos desejos do cidadão. Longe de ser um quarto poder, ele é o intermediário da população, não é mais, nem menos, é parte e porta voz, da sociedade que clama por mudanças.

Votem conscientes, nosso país precisa...

Boa Eleição...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Reconstruindo o real

Há muitos que dirão que o cinema seria a invenção do século XIX, outros apenas mais uma ferramenta para reproduzir a realidade, invertendo-a por vezes, mas causando na sua maioria uma sensação de identificação.

Desde o seu nascimento, em 1895, até a sua disseminação em meados do século XX, a arte coletiva tem ditado muitos comportamentos e inspirado diversas pessoas a se relacionar com o aparelho que ao mesmo tempo em que reproduz histórias, cria muitas outras que se aproximam muito da nossa ideia de real. Mas o que seria a realidade para a gente?

Villem Flusser, filósofo Tcheco, naturalizado brasileiro, trabalhará principalmente a questão da imagem e a forma que nos relacionamos com ela e o mundo. Em sua teoria filosófica intitulada "A Filosofia da Caixa Preta", Flusser irá explicar a capacidade da fotografia imitar o real, dispensando e renegando a informação do texto escrito e trazendo para si a capacidade de modificar o mundo. Esse conceito irá servir muito bem ao cinema, que seria a tecnologia mais atual, dentro do conceito de Flusser, o Aparelho que imita e funciona em analogia ao ser humano.

Hollywood tornou-se a fábrica de tendências, de estereótipos e não menos importante, da imagem. Imagem que se faz das pessoas, imagem "padrão" do corpo sem mente, imagem daquilo que imaginamos ser o mundo. Todas essas funções servirão única e exclusivamente para nos tornar incapazes de criar a nossa própria identidade, a qual não servirá mais, já que na imagem encontramos todas as possibilidades de mostrar aquilo que não somos. Flusser formulará a teoria de que o Aparelho será o produtor do mundo de superfícies, o qual despreza a linguagem e a aliena, assim como faz com o ser humano.

Até que ponto seremos capazes de nos reconhecer e fazer da nossa identidade algo que nos qualifique e somente deixe transparecer o que de nós é verdade. Este, talvez seja o grande desafio do que Flusser irá chamar de sociedade pós-indutrial do futuro. Já que o mundo além de operar o Aparelho ele também está contido nele, a cultura será substituída e posteriormente eliminada, pois dela o mundo não precisara mais, visto que ele continuará mundo mesmo não a possuindo.
Todos os pensamentos de Flusser nos levarão a refletir a até que ponto o mundo depende do aparelho e até que ponto este pode modificá-lo, de maneira que a imagem ao invés de transmitir o real seja ferramenta de construção do irreal? Será que vemos a realidade ou aquilo que nos querem mostrar?



Texto apresentado à disciplina de Filosofia Contemporânea, do Curso de Jornalismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A LINGUAGEM CORPORAL

A arte da dança atrai cada vez mais pessoas que buscam na expressão corporal um meio de vida

Por Marcos Rufino
Embora a dança não seja a principal forma de expressão artística no Brasil, como a música, ela tem atraído muitos particantes devido a sua capacidade de desenvolvimento educacional e comportamental do ser humano. Academias multiplicam-se e talentos são expostos para o mundo, ganhando reconhecimento em companhias de renome.

Segundo Simone Sant'Anna, 34 anos, 23 dedicados a dança, diretora artística da Escola de Dança Pulsarte, a dança auxilia a complementar todos os aspectos do desenvolvimento humano, tanto no aspecto cultural, quanto no social. "Na área cognitiva a pessoa que dança terá condições de ampliar o raciocínio lógico, trabalhar conceitos como velocidade, tempo, força e volume", confirma Simone.

Para Patrícia Rizzi, 32 anos, professora de circo e Jazz da Pulsarte, a dança auxilia principalmente na formação de caráter, na disciplina, na superação dos limites e no convívio em grupo. "A arte trabalha a mente, a criatividade, a sociabilidade, os sentimentos e simplesmente traz uma sensação de bem-estar pleno", afirma Rizzi.
Mas para chegar a um estágio avançado de dedicação e profissionalismo, muitos sacrifícios são feitos e muitos obstáculos têm que ser enfrentados. "Precisa de muitas horas de treino, aulas e ensaios, muito empenho e gostar muito do que faz", comenta Rizzi. "No Brasil temos pouquíssimos incentivos à qualquer tipo de arte, então é necessário estudar muito, ser dedicado e, principalmente, disciplinado", acrescenta.

Roberto Amorim, 39 anos, diretor, coreógrafo e bailarino do Sopro Cia. de dança, diz que desde pequeno queria ser artista e viu que na dança ele teria todos os requisitos para ser um artista completo. " Ela (a dança) é mais que uma profissão. Gosto de estar no palco, de ensinar, coreografar, dançar".

No entanto para a dança se tornar realidade na vida de Amorim, ele teve que batalhar e enfrentar por vezes preconceitos na sociedade, mas nada que não pudesse superar. "Lá no íntimo e no mais profundo de qualquer ser humano, todos carecem de dançar e querem muito, mas são vencidos pelo medo e preconceito", diz Amorim, completando, "quando encontram alguém que venceu todos os preconceitos, medos e desafios que a dança oferece, esses são os primeiros a aplaudir o artista".

A rotina é dura e cansativa, mas sempre vem acompanhada do prazer. Roberto Amorim trabalha seis horas por dia no Sopro e a noite ministra aulas de dança contemporânea e ballet clássico nas escolas Ballet Sopro e Pulsarte, cada aula com duração de uma a uma hora e meia.

Quem se dedica à dança também precisa ter uma boa alimentação, devido a energia gasta nas aulas. Amorim revela que para evitar contusões, ele recomenda sempre fazer o trabalho de aulas e alongamentos, para manter o físico sempre preparado para qualquer esforço.

A dança ainda encontra muitos percalços para se firmar no Brasil, ao contrário de países europeus que valorizam bastante os profissionais da dança. Para Christiane Araújo, 32 anos, professora de dança contemporânea, falta incentivo de cultura e educação para todas as classes econômicas do país, "que a dança fosse uma realidade para todos".

Realmente a dança deveria ser mais bem valorizada, devido a tantos benefícios que ela dá e o essencial a poesia que ela possui. Na opinião de Patrícia Rizzi a arte é muito mais: "Foi na dança que eu me encontrei e é através da dança que eu vivo, que eu aprendo, ensino, amadureço, erro, choro, me divirto". Como se já não bastasse ela complementa, " a dança é parte do que sou".
Créditos da foto e entrevistas: Gabriela Reis - Assessoria de Imprensa da Pulsarte.

sábado, 7 de novembro de 2009

O Cinema Brasileiro despede-se de Anselmo Duarte

Morre aos 89 anos o ator, produtor e cineasta Anselmo Durte, personagem fundamental da história do cinema nacional

Após saber da morte de Anselmo Duarte na madrugada deste sábado e conhecer um pouco da sua importância para o cinema brasileiro, resolvi inaugurar o meu blog com uma pequena, porém sincera homenagem a esta personalidade que foi e sempre será importante para vida cultural brasileira.

Nascido em Salto, interior de São paulo, Anselmo teve seu primeiro contato com o cinema de forma lúdica, juntamente com o seu irmão mais velho. Apaixonado por cinema, frequentava cineclubes e escolas de fotografia.
Iniciou sua carreira em 1946, quando ainda não havia formação superior em cinema e os diretores eram "autodidas", ou seja, aprendiam com a prática nos estúdios.
Como ator, participou de 25 filmes, sendo considerado um dos maiores galãs do cinema nacional, o que lhe valeu prêmios internacionais.
Dono de uma visão cinematográfica invejável e possuidor de um estilo atento com a qualidade de suas obras, Anselmo, já como diretor, fez filmes com extremo valor artístico e força imagética. Dentre os 11 filmes que dirigiu, sendo 3 curtas e 8 longas, o grande filme que se destacou não só pela sua qualidade, que é inquestionável, mas também pelo grande prêmio conquistado no Festival de Cannes, a Palma de Ouro. O Pagador de Promessas(1962), fora adaptado da obra de Dias Gomes, a qual possui o mesmo nome. Esta obra dirigida pelo grande Anselmo foi marco inaugural de uma nova fase do cinema brasileiro, fase esta, em que os filmes mesmo possuindo um orçamento reduzido, não deixaram de se preocupar com a qualidade técnica e a criatividade na elaboração.
Com a conquista da Palma de Ouro, sendo que, O Pagador de Promessas até hoje é o único filme a ter conquistado este grande prêmio, no meu ver o mais importante do cinema mundial, o cinema vivenciou uma nova forma de ver o Brasil, abre-o para o mundo e sobretudo, há a sua divulgação e valorização.O filme possui uma temática bem brasileira, focada na religião, unida ao sincretismo religioso e a burocratização ao redor dessa esfera. A obra revela o lado humano e as relações socias.
Em suas obras, Anselmo sempre demonstrou uma preocupação social, sem estar ligado a uma ideologia política ou visão. Seu trabalho como diretor nada mais é do que uma abordagem da sua formação simples e batalhadora, e principalmente comprometida com a valorização do nosso cinema. Seu legado é extenso e sua importância jamais será esquecida, Anselmo contribuiu e principalmente fez com que o nosso cinema fosse reconhecido.

Anselmo Duarte...o Cinema Brasileiro agradece!

Marcos Rufino





Foto:Paulo Giandalia/AE
Anselmo Duarte, em foto de 2008 (retirada do site do Estadão)